Galera, tive a idéia de cada um pensar em falas para sua "prostituta", ou caminhoneiro, que se possível tivesse alguma ligação com sua cena, ou tese... O que acham? Ex. Na fala do Vinícius ele poderia citar a morte da véia, algo assim... O que acham? Pra quem não tem o original:
UMA NEGRINHA ACENANDO, de Dalton Trevisan
Seis e meia da tarde, na estrada. Garota de calça azul berrante e blusa vermelha.
GAROTA: Dá uma carona, moço?
CAMINHONEIRO: Suba. De volta do emprego?
GAROTA: Estou paquerando.
CAMINHONEIRO: Não diga. Faz isso todo dia?
GAROTA: Quando não chove.
GAROTA: Desde muito na vida?
GAROTA: Faz um ano. Uma ruiva me trouxe. Ela também paquera.
CAMINHONEIRO: Quem foi o primeiro?
GAROTA: Meu noivo. Queria saber se era moça.
CAMINHONEIRO: Ficou grávida?
GAROTA: Tive um menino. Quase um aninho. Chuva ou sem chuva, são dois pacotes de leite por dia.
CAMINHONEIRO:Teus pais sabem?
GAROTA: Pensam que trabalho de diarista.
CAMINHONEIRO:Como é a paquera?
GAROTA: A gente faz sinal. Até que alguém pára. Às vezes fica freguês.
CAMINHONEIRO: Aonde vão? Alguma casa?
GAROTA: Que casa. No caminhão. No mato.
CAMINHONEIRO:Você faz tudo?
GAROTA: O normal.
CAMINHONEIRO: Sente algum prazer?
GAROTA: Difícil. Eles sempre com pressa.
CAMINHONEIRO: Quanto você cobra?
GAROTA: Meia nota.
CAMINHONEIRO: Hoje foi bom?
GAROTA: Não ganhei nada. Tem dia bom. Depende de sorte.
CAMINHONEIRO: Qual o pior dia?
GAROTA: Quando chove. Ou muito frio. Cato graveto e acendo foguinho debaixo da ponte.
CAMINHONEIRO: E a hora pior?
GAROTA: Do almoço. Daí eles não param.
CAMINHONEIRO: Você almoça?
GAROTA: Eu, hein!
CAMINHONEIRO: Como você vem?
GAROTA: Cedinho saímos de casa, eu e a ruiva. Andamos um bom pedaço. Medo de meus pais. Daí ficamos pedindo carona. De repente um pára.
CAMINHONEIRO: E a volta?
GAROTA: Mais custosa. Ainda se ameaça chuva.
CAMINHONEIRO: Já anoiteceu na estrada?
GAROTA: Um par de vezes.
CAMINHONEIRO: Quando amanhece chovendo?
GAROTA: A gente não vem.
CAMINHONEIRO: Qual foi o melhor dia?
GAROTA: O dia que peguei sete.
CAMINHONEIRO: Já tenho visto na estrada essa calça azul.
GAROTA: De onde o senhor é?
CAMINHONEIRO: Estou de passagem. Há muitas como você?
GAROTA: Uma em cada curva. Muita menina. De treze e catorze anos. Dão até por amor.
CAMINHONEIRO: Onde?
GAROTA: No matinho. Atrás da moita.
CAMINHONEIRO: Não engravidam?
GAROTA: Lá são bobas feito eu.
CAMINHONEIRO: Esses dentes. O que aconteceu?
Tão novinha.
GAROTA: Doía o do meio. Bem aqui na frente.
CAMINHONEIRO: Quem te atendeu?
GAROTA: O dentista do governo.
CAMINHONEIRO: Por que tirou os outros?
GAROTA: Eu disse: “Dói tudo.” E ele: Já viu debulhar milho? Daí arrancou os quatro.
CAMINHONEIRO: Chegamos. Aqui você desce.
GAROTA:Até qualquer dia, moço.