*03 de julho de 2011,
O.O Realmente aconteceu...
Confesso não ter pensado muito nas conseqüências...
Meu objetivo era: mover o público!
Meu receio? No primeiro momento, apenas de não conseguir atrair ninguém: Barriga torta... Centro de São Paulo... Resolvi fazer a cena e ver o que dava... Se não conseguisse mover alguém, seria um aprendizado de qualquer forma...
Não tive muito tempo para pensar em nada na verdade...
Ana (a artista orientadora): “10 min para pensar na cena!”
Yumi olhou para mim... Eu olhei para Yumi... : “Não tenho nenhuma idéia!” ... “Eu também não!” O.O
Sentamos de frente ao farol e observamos a movimentação...
...
“Sei lá... Uma idéia inicial... Uma tem que motivar a outra a atravessar a rua, que por alguma razão não atravessa...”
(...)
“Mas tava pensando em algo para interagir com o público... É... E se fossemos duas cegas? Esperamos alguém nos ajudar a atravessar!”
(...)
“E se uma estivesse com o pé machucado e a outra tentando ajudar com dificuldade?”
(...)
“E se uma estivesse grávida e caísse no chão?” O.O ... “!!!”
(...)
Não tivemos mais muito tempo... As outras cenas iniciaram... Motivando a gente também para a nossa...
Quando sai da sala... Não pensei em mais nada... Só tentei interiorizar a barriga... A dor... O desespero... As sensações...
Fui andando e olhando com cara de dor para as pessoas... Tinha dificuldade ao andar...
A Yumi na frente me sinalizou o melhor local... Foi para o orelhão mais próximo...
Esperei o grupo de mulheres e vinham na contramão se aproximarem...
E assim: Cái!
Eu, grávida, dores...
Yumi gritando: “Ela caiu, ajuda!...”
Me motivou a pedir ajuda também... Desesperada...
As mulheres ajoelharam sobre mim...
- Confesso ter vibrado um pouco pela motivação delas: A cena estava feita! -
Elas pediram para eu deitar...Iam chamar ajuda...
Eu disse estar bem...
Só precisava de ajuda para levantar...
Tentei sentar...
Me deitaram de novo... Uma delas, mais mocinha, colocou a mão na minha barriga...
-Iii, fudeu!... - Nada! ... A senhora do meu outro lado, pegava o celular:
“Calma,...”
“Está tudo bem, só preciso de ajuda para levantar... Quero ir para casa, por favor!”
“Você mora aqui perto? Qual o seu telefone?”...
- A Yumi desesperada, gritando, tentando ligar para o resgate do orelhão... Pessoas a ajudando... Quanto percebi... Diversas pessoas em volta...
Vozes:
“Calma, calma!”
“Fica deitada!”
“Chamem o resgate!”
“O que ela tem?”
...
A senhora ao meu lado:
“Você está com quantos meses?
-Fudeu! Sei lá... Quantos meses?... Fingi não ouvir... –
“Quantos meses vocês está?”
“Cinco! ... Mas está tudo bem... Me ajude a levantar, por favor...”
O desespero da mulher... Nessa hora comecei a pensar em como contaria a ela... Como pediria desculpas... Ela estava apreensiva...
“Fale o número da sua casa!”
“3... 2...”
De repente, uma voz: “Fique tranqüila, o resgate chegou!”
O.O
Uma viatura policial! Todos com cara de alívio! - Menos eu e a Yumi – Óbvio! -
“Está tudo bem! Não, está tudo bem, sério! Me ajudem a levantar, por favor!”
Levantei com dificuldade, com a ajuda do policial...
A Yumi: “Ajudem só a levá-la ali dentro... Ela precisa só sentar...”
“Sente aqui na viatura!”
“Eu estou bem, obrigada gente! Eu moro aqui perto... Desculpe...”
Yumi: “Está tudo bem, ela está comigo, eu a levo para casa!”
“Você conhece ela?”
“Sim! Ela é minha irmã... Está tudo bem!”
-Detalhe:eu,latino-americana; ela: oriental... -
“Mas é rápido! A gente te leva até a base...”
“Não, eu...”
O guarda na minha frente... Com uma cara de dúvida também – Minha barriga devia estar muito torta, ele próximo de mim... Olhei nos olhos dele, tentei passar segurança, tentando de alguma forma mostrar para ele que era uma brincadeira, que não esperava toda aquela repercussão...
“Tem certeza que não quer que a levemos?”
“Tenho! Está tudo bem... Obrigada... Moro perto...”
Um senhor passante, com a porta do carro da viatura aberta, ele insistia, com cara de experiência e seriedade para a minha “teimosia de criança”: “Entra, deixe eles te levarem, é melhor...”
“Obrigada, eu estou bem, eu... Obrigada gente... Está tudo bem...”
Quando virei dei de cara com mais uma porção de pessoas...
A Yumi me dando assistência: “Mantém a cena, calma... Vamos... mantém...”
“Ok..”
Continuei em cena, tentando justificar minhas ações para o público, falei para Yumi: “Calma.. Estão todos olhando para mim... Eu estou bem! Vamos entrar ali dentro um pouco, quero sair daqui... Espera...” – E parava de vez em quando para segurar a barriga e respirar fundo...
Entramos na Olido... Mantive mais ou menos a cena – Tinham pessoas atrás que poderiam estar olhando para a gente... - Andando com dificuldade, mas já rindo e comentando com ela...
Que loucura! Aquela sensação de “Ufa! Foi por pouco!” ...
Teve momentos que pensei em contar a verdade... *Íamos acabar presas! Apedrejadas... Sei lá...
Muitos estavam lá por curiosidade... Mas senti o desespero em outros...
Nossa! Com coisa séria não se brinca!
- Não tente fazer isso em casa!* Só se estiver muito bem treinado e souber a hora certa de parar e como contar a verdade, tendo recursos para isso!... -
Teve momentos em que fiquei realmente preocupada... Na hora de levantar... Aquela barriga torta!...
A Yumi e suas ações foram fundamentais! – Obrigada! S2*** - Não sei se conseguiria sozinha... Contornar a situação, convencer as pessoas de que ficaria bem...
Com certeza, elas vão ficar um tempo pensando se era verdade, ou mentira...
Enfim...
“Ufa... Simplesmente... Inesquecível!... S2
Não acredito que perdi isso!!!!!!!!!!!
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